a privatização não perdoa nem os refugiados políticos

por Rafael Evangelista em 25 de julho de 2013, um comentário

Jimmy Mubenga era um refugiado político angolano que viveu no Reino Unido desde 1994, por 16 anos. Tinha uma esposa e cinco filhos, todos nascidos por lá e cidadãos britânicos. Até que ele se envolveu em uma briga de bar, foi condenado e sentenciado a deportação. O que se abriu então, segundo as palavras do Guardian, foi “uma história chocante de um sistema de deportação cruel, de racismo e desumanidade”.

Jimmy caiu nas mãos da G4S, a maior empresa privada de segurança do mundo. O relato é do CorpWatch:

Quando Mubenga foi levado ao vôo 77 da British Airways de Londres para Angola, foi tratado “pior do que um animal”, disse a esposa de Mubenga, Adrienne Makenda Kambana. Kevin Wallis, um engenheiro de petróleo que estava sentado na fila da frente, disse que viu os seguranças “segurando-o para baixo” e Mubenga estava “gemendo”.

Deportados muitas vezes são levados para fora do Reino Unido por empresas de segurança em vôos comerciais, sob a Lei de Imigração 1971. Outros são levados em voos especialmente fretados. No entanto, se os deportados lutarem, os pilotos costumam fazer desembarcar os agentes da empresa contratada. A fim de evitarem serem expulsos, guardas de segurança desenvolveram uma técnica chamada “karaokê de tapete”, que envolve empurrar para frente “um deportado que está sentado e com cinto de segurança afivelado”, fazendo com que ele “cante para o tapete” “e seus gritos e choros sejam abafados”. As aspas são de um relatório de 2011 intitulado “Out of Control” escrito pela Anistia Reino Unido.

Antes do vôo decolar, Mubenga parou de gemer e ficou em silêncio. Uma ambulância foi chamada e ele foi declarado morto.

 

O caso aconteceu em 2010, mas os três agentes da G4S foram condenados por assassinato recentemente.

O quê a privatização tem a ver com isso?, você pergunta.

O inquérito que resultou na condenação dos agentes descortinou a realidade maquiada das “indústria da remoção”, em que as deportações são um serviço lucrativo com contratos milionários. “A G4S era paga por hora e se a deportação falhasse o lucro iria pro ralo. A remuneração dos agentes era por hora trabalhada . Era importante fazer o serviço, incentivos financeiros eram dados se as remoções acontecessem com sucesso.” As aspas são do advogado da família de Mubenga.

A G4S não trabalha mais para o Reino Unido. Porém, em seu lugar, foi contratada a Tascor, uma subsidiária da Capita, que recontratou muitos dos agentes e supervisores da G4S.

A família de Mubenga está processando a G4S.

 

Uma opinião sobre “a privatização não perdoa nem os refugiados políticos

  1. Mas o que esperar quando empresas contratam mercenários africanos pra virar bucha de canhão no Iraque? Ou quando um juiz americano vende condenações absurdas com penas absurdamente exageradas para alimentar a indústria de presídios privados?

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